Belmonte e Guarda

8 Novembro 2015 0 comentários admin

São só 105 os Quilómetros a percorrer, neste roteiro onde propomos a visita à cidade mais alta de Portugal e à aldeia histórica de Belmonte. A subida até à Guarda é pelo “vale do Mondego”, seguindo a estrada N16 sempre com a Serra da estrela ao nosso lado direito, que nos conduz diretamente ao centro Histórico, onde a Sé Catedral é o seu “ex­librís”, a sua visita pode ser guiada a partir do Posto de Turismo. A torre de menagem, o seu panorama de 360 graus no cimo “da torre mais alta da cidade mais Alta” merece a também a visita.

Da Guarda, sai­se pela N18 a descer até Belmonte entrando na “cova da Beira” (a Serra da Estrela continua à direita). Ainda antes de chegar a Belmonte está a “mística” torre “Centrum Cellas” na localidade do Comeal. Belmonte tem vários pontos de interesse, ligados quer a presença judaica, ao património edificado e também a sua ligação aos descobrimentos. O regresso será pelas autoestradas A23 e A25.

 

GUARDA

Histórica e monumental. 0 destino confirmou­a como baluarte e cidade da Serra. Desde sempre toda a cidade da Guarda é um hino ao granito, cantado na arte românica da Capela do Mileu, no estilo gótico e manuelino da sua Sé Catedral, ou nas ruas, praças e muralhas da sua cidade medieval. Certo é que este hino teve eco no Neolítico, na Anta de Pêra do Moço e nos machados de pedra polida expostos no Museu da Guarda. Continuou pela Idade do Bronze e pela romanização, nos castros do Tintinolho e Jarmelo ou no troço de estrada romana junto ao Chafariz da Dorna. Até que em 1199, D. Sancho I fundou a cidade.

Com os reis Afonsinos concluíram­se as muralhas, então com cinco portas. Hoje subsistem a monumental Torre dos Ferreiros e as Portas da Erva e d`EL Rei, vigiadas pela Torre de Menagem e ligadas por um traçado de ruas fascinantes que dão a volta à Judiaria. Na Praça Velha ou Praça Luís de Camões, nasceu a actual Sé Catedral, construída entre 1390 e 1540. Um passeio na cidade Do Museu da Guarda à Sé. Da Praça Velha à Judiaria. Passo a passo através de torres e muralhas, jardins e igrejas artísticas ou descobrindo uma colecção de relíquias medievais e renascentistas.

Visite o Museu da Guarda instalado no edifício seiscentista do antigo Seminário. O Museu tem ao nível do rés­do­chão quatro salas dedicadas cronologicamente à Pré­História, à Romanização, à Idade Média e ao Renascimento. Na Cave está a Sala das Armas e no piso superior, há exposições temporárias de etnografia, artesanato e pintura. Do Museu suba a Rua Camilo Castelo Branco até à Torre dos Ferreiros. Repare no troço de muralha do século XIII. Saindo pela Rua da Torre volte à esquerda pela Rua dos Clérigos. A rua termina na cabeceira da Sé. Subindo pela Rua D. Miguel de Alarcão, junto ao cemitério, encontra a Torre de Menagem ­ a última relíquia do Castelo da Guarda, onde a visão da Sé, da cidade, da Serra e do planalto é notável. A visita à Sé faz­se pelo portal lateral da Praça Luís de Camões (Praça Velha). Esta Praça é desde o século XII o coração da cidade.

Na Rua Francisco de Passos encontra­se a Igreja de S. Vicente que é um templo barroco, do século XVIII, com notáveis painéis de azulejos na nave que contam a vida de Jesus. A Rua de S. Vicente desce até às Portas D`EL Rei que são rodeadas por um troço de muralha com caminho de ronda. Ao dobrar a esquina da Rua de S. Vicente com a Rua do Amparo, entramos em plena Judiaria da Guarda. Aqui tudo é medieval.

 

“CENTRUM CELLAS”

A Torre de Centum Cellas, também referida como Centum Cellæ, Centum Celli, ou Centum Cœli, antigamente também denominada como Torre de São Cornélio, localiza­se no monte de Santo Antão, freguesia do Colmeal da

Torre. Trata­se de um singular monumento lítico atualmente em ruínas que, ao longo dos séculos, vem despertado as atenções de curiosos e estudiosos, suscitando as mais diversas lendas e teorias em torno de si. Uma das tradições, por exemplo, refere que a edificação teria sido uma prisão com uma centena de celas (donde o nome), onde teria estado cativo São Cornélio (donde o nome alternativo). Sobre a sua primitiva função, acreditava­se que pudesse ter sido um prætorium (acampamento romano). Entretanto, campanhas de prospecção arqueológica na sua zona envolvente, empreendidas na década de 1960 e na década de 1990, indicam tratar­se, mais apropriadamente, de uma uilla, sendo a torre representativa da sua pars urbana, estando ainda grande parte da pars rustica por escavar.

 

BELMONTE

Terra de Pedro Álvares Cabral, situada em plena Cova da Beira e com ampla vista sobre a encosta oriental da Serra da Estrela, a vila de Belmonte justifica plenamente as características que lhe terão dado o nome. Diz a tradição que o nome Belmonte provém do lugar onde a Vila se ergue (monte belo ou belo monte). Porém, há quem lhe atribua a origem de “belli monte” – monte de guerra. Terra solarenga, de boas gentes, paisagens sem fim e uma história de séculos. A presença humana no atual concelho de Belmonte está comprovada desde as épocas mais remotas. A Anta de Caria, os Castros de Caria e da Chandeirinha certificam a longevidade da fixação na pré e proto­história. A presença romana é também evidente pelos testemunhos da Torre Centum Cellas ou pela Villa da Quinta da Fórnea, pontos de passagem da via que ligava Mérida à Guarda. Na Idade Média Belmonte surge­nos, primeiramente, ligado à história do concelho da Covilhã, concretamente, no foral concedido em 1186 por D. Sancho I. Mas, em 1199, de acordo com a sua política de povoamento e reforço da defesa fronteiriça, o mesmo rei concedeu foral a Belmonte ficando esta até 1385 sob jurisdição da Covilhã.

No século XIII, a vila encontrava­se já em franco desenvolvimento justificando a existência de duas Igrejas ­ a de São Tiago e de Santa Maria (perto do velho cemitério, junto ao Castelo) e de uma Sinagoga. Embora pertencendo à Coroa, o Castelo de Belmonte era administrado por um alcaide local e já desde 1398 que este cargo estava ligado aos Cabrais. O primeiro alcaide foi Luís Alvares Cabral. Fernão Cabral, pai de Pedro Alvares Cabral, foi o primeiro alcaide­mor. Com ele se iniciou, no século XV, a época de maior destaque do Castelo e de Belmonte. Em 1510 D. Manuel I concedeu a Belmonte nova carta de foral. Nessa altura a comunidade de Belmonte era essencialmente rural, dependente da pecuária e da agricultura. A presença de Judeus favoreceu também a existência de algum comércio. 

Na primeira metade do século XVI o Concelho de Belmonte tinha "de termo duas léguas em longo e uma de largura" sendo a vila que na comarca de Castelo Branco tinha a maior densidade populacional em vizinhos a seguir à Atalaia. Em meados do século XVIII a população de Belmonte contava já com cerca de 1416 habitantes. Em 1811 estava judicialmente anexa a Sortelha (que tinha Juiz de Fora) na Comarca, Provedoria e Diocese de Castelo Branco. E, em 1842 pertencia ao Distrito Administrativo da Guarda. Com a reforma administrativa de 1855, o Concelho de Belmonte foi alargado pela incorporação de Caria. Mas a 7 de Dezembro de 1895 este concelho foi extinto, tendo as suas freguesias sido anexadas à Covilhã. Apenas três anos depois foi restaurado o Concelho de Belmonte.

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