Aldeias com"Estórias" e Linhares da Beira aldeia Histórica

10 Dezembro 2015 0 comentários admin

São menos de 60 os Kilómetros a percorrer neste circuito que liga uma série de típicas aldeias beirãs com muitas ​histórias há para contar​, paisagens para admirar e vários outros motivos de interesse​. Cruzamos o Mondego pela ponte da lavandeira ("Românica", mas de origem romana).

Na Necrópole de S.​ Gens, fazemos a primeira paragem, num ambiente ​"Pré-histórico" (apesar da presença de ruínas romanas a poucos metros)​. 

​No cimo da aldeia do Forno Telheiro, admira-se de novo a paisagem junto à forca (por sinal a ultima a ser usada em Portugal)
A aldeia tem vários outros pontos de interesse, evidentes no património edificado.

De seguida visitamos a mística povoação, outrora chamada "Stª. Maria dos Açores", a Igreja encerra vários mitos relacionados com o culto do divino expirito Santo e dos milagres atribuídos a  Nossa Senhora dos Açores, alguns solares​ em ruínas relembram uma época gloriosa.

Já a caminho da Lageosa voltamos à margem esquerda do Mondego pela ponte do Ladrão (Romana).

Daí, seguimos para Vale de Azares (há que "mirar" a paisagem sobre o vale do Mondego a partir da "Sra dos Azares").

Subimos depois à "Penha de Prados" para mais uma paisagem "arrebatadora" desta vez virada para a encosta norte.

(uma visita à "Quinta da Póvoa de Prados", pode também ser equacionada se a temática da produção do afamado "Queijo da Serra" for do seu interesse)

Descemos à povoação e seguimos para Salgueirais, onde na antiga escola primária transformada em museu, se pode reviver o ambiente escolar dos anos 50.

A seguir, vamos em direcção a Melo, onde propomos um almoço regional no Restaurante "Fonte dos Namorados".

Nesta aldeia, outrora vila, relembramos o Escritor Virgílio Ferreira e deve ser visitado o Museu.

Voltamos a subir até ao Folgosinho, e depois de uma visita, à aldeia e ao miradouro, continuamos a subida, para depois descer sobre a aldeia Histórica de Linhares da Beira.

O regresso é através da N17 a partir da Carrapichana.
 

Nota : Este circuito para poder ser feito num dia tem que ser acompanhado por um guia local.
 

LINHARES DA BEIRA

Aldeia medieval do séc. XII, Linhares da Beira possui uma diversidade arquitectónica ímpar, fruto do legado de várias épocas. Em 1169, recebeu o seu primeiro floral, atribuído por D. Afonso Henriques. Mas só mais tarde, no reinado de D. Dinis, foi erigido o seu imponente Castelo, ex-líbris da aldeia e principal cartão de visita nos nossos dias. Deambular pelas ruas desta aldeia museu é fazer uma incursão ao passado, à sua história, e sentir a brisa do Vale do Mondego e acariciar-nos o rosto. 


Vila de fundação medieval, com foral concedido em 1169 por D. Afonso Henriques, que, em 1855 perde este estatuto com a reforma administrativa liberal. Apesar do local ter conhecido a fixação de povos pré-romanos e existir registo escrito da passagem de romanos, visigodos e muçulmanos, a história de Linhares, tem origem no contexto gerado com a reconquista Cristã. Estabilizadas as fronteiras do reino português, Linhares continuou a ter significado estratégico pelo menos até ao século XVII, pois fazia parte do sistema defensivo que guardava a Bacia do Mondego, na retaguarda das fortificações da raia beirã.


A estrutura de ocupação do espaço da antiga vila de Linhares conjuga assim um tipo característico de povoamento medieval (séculos XII-XIV), com desenvolvimentos significativos no período quinhentista (século XVI). Nesta centúria a vila terá atingido uma configuração próxima da atual, ainda que no património edificado pesem, pelo impacto no tecido urbano, algumas construções mais tardias (séculos XVII-XIX).
O castelo, implantado num cabeço rochoso a cerca de 820 m de altitude e dominando o Vale do Mondego, constitui o núcleo gerador do aglomerado. Na encosta, sobranceira à várzea de Linhares e cruzada por antiga via romana, estendeu-se a povoação: o sistema fortificado, entregue a um alcaide e dispondo de pequena guarnição militar, defendia um território bem como a sua população e bens; o foral, concedido pelo Rei, prescrevia a autonomia concelhia e organizava a vida económica e social do povoado; a Igreja estabeleceu as paróquias. 

A vila descreve, no sopé do Castelo, um perímetro triangular, em cujos vértices se situam três espaços ordenadores da malha urbana: o Lg. da Misericórdia, à entrada da povoação; o Lg. de S. Pedro, na zona denominada “Cimo da Vila”; e o Lg. da Igreja, próximo do Castelo e no acesso ao Campo da Corredoura, terreno de usufruto comum. Estes largos definiram-se em torno de igrejas – hoje desaparecida a de S. Pedro – e constituíam o centro das paróquias de fundação medieval. Na base do triângulo e no ponto oposto à Matriz, localiza-se o Lg. do Pelourinho, outrora o centro cívico da Vila. 

 

Da assistência ao peregrino, pobres e doentes sobra-nos o edifício do Lg. da Misericórdia, que acolheu duas instituições típicas da sociedade medieval e moderna – a Albergaria e o Hospital. Também do abastecimento de água, temos para observar três fontes dos séculos XII, XVI e XIX. Além da casa tradicional e popular disseminada por toda a vila, contam-se as casas nobres dos séculos XVIII-XIX, destacando-se janelas e portas decoradas ao gosto Manuelino (século XVI), quase sempre moradias de proprietários agrícolas mais abastados ou da

 burguesia local ligada ao comércio. Entre estes encontrava-se a comunidade judaica, minoria étnica e religiosa obrigada a viver apartada da comunidade cristã e cujo bairro – judiaria – se situava numa transversal à Rua Direita: sobre a porta de acesso ao bairro (Arco) figura uma das mais elaboradas janelas manuelinas de Linhares.